quarta-feira, 9 de setembro de 2026

TRABALHO APRESENTADO EM LOJA

 No dia 01 de Setembro de 2026, o Irmão Cobridor Raphael Carvalho Cardoso  apresentou o trabalho abaixo, durante o Tempo de Instrução :


ENTRE A CRUZ E O ESQUADRO


Dos Cavaleiros Templários à condenação papal da Maçonaria

 


Uma reflexão sobre fé, poder, autoridade, segredo e liberdade de consciência

Peça para apresentação em Loja — aproximadamente 15 minutos


 

1. A pergunta que abre o trabalho

Meus Irmãos, este trabalho nasceu de uma pergunta aparentemente simples: afinal, um maçom católico é excomungado? A pergunta parece jurídica, mas, quando seguimos sua história, encontramos algo muito maior. Encontramos uma disputa secular sobre fé, autoridade, segredo, liberdade de consciência e, inevitavelmente, poder.

Excomunhão é uma pena eclesiástica grave; não significa automaticamente deixar de ser batizado nem uma sentença humana sobre a salvação eterna. Historicamente, a legislação católica chegou a prever excomunhão expressa para a filiação maçônica. O Código de 1983 já não cita a Maçonaria nominalmente. Ainda assim, a Congregação para a Doutrina da Fé declarou naquele ano que o juízo negativo permanecia: o católico filiado à Maçonaria é considerado em estado de pecado grave e não pode receber a Comunhão. O Vaticano reafirmou a incompatibilidade em 2023.

Mas por que uma fraternidade que admite a crença em um Ser Supremo tornou-se, para Roma, incompatível com a fé católica?

2. Antes da Maçonaria: uma disputa sobre quem detém a autoridade





Para compreender essa tensão, proponho recuar não a 1738, mas ao início do século XIV. Poucos anos antes da queda dos Templários, o rei Filipe IV da França e o papa Bonifácio VIII travavam um conflito aberto sobre os limites do poder temporal e espiritual.

Em 1302, Bonifácio VIII publicou a bula Unam Sanctam, uma das formulações mais fortes da supremacia pontifícia medieval. O conflito não era abstrato: envolvia tributação do clero, soberania do rei e a pergunta essencial de quem possuía autoridade final sobre a sociedade cristã. Em 1303, agentes ligados a Filipe IV participaram do episódio de Anagni contra Bonifácio. Dois anos depois, o francês Clemente V tornou-se papa.

É dentro desse cenário — e não isoladamente — que devemos olhar para os Cavaleiros Templários. A Ordem era católica, militar e religiosa, mas possuía riqueza, propriedades internacionais, privilégios e uma autonomia excepcional. Sua relação institucional passava diretamente pelo papado. Para uma monarquia em processo de centralização, uma organização transnacional, autônoma e poderosa constituía também um problema político.

A questão templária não foi apenas 'em que eles acreditavam?'. Foi também: a quem obedeciam, que poder possuíam e quem poderia julgá-los?

3. 1307: quando o desconhecido se transforma em acusação

Em 13 de outubro de 1307, Filipe IV ordenou prisões em massa dos Templários na França. As acusações eram devastadoras: negação de Cristo, desrespeito à cruz, práticas obscenas, idolatria e veneração de uma cabeça misteriosa. A tradição posterior associaria parte desse imaginário ao nome Baphomet.

Muitos depoimentos foram obtidos sob tortura e as versões apresentavam contradições. O Pergaminho de Chinon mostra ainda que representantes de Clemente V concederam absolvição e reconciliação eclesiástica aos principais dirigentes templários, inclusive Jacques de Molay, em 1308. Isso torna inadequada a narrativa simples segundo a qual a Igreja teria apenas descoberto uma ordem comprovadamente satânica e a eliminado.

Em 1312, Clemente V suprimiu a Ordem. Em 1314, Jacques de Molay foi queimado em Paris. Não precisamos transformar Filipe IV, Clemente V ou os Templários em personagens unidimensionais. Mas é difícil ignorar que doutrina, jurisdição, interesses econômicos e poder político estavam profundamente entrelaçados.

4. O segredo e a construção do inimigo

Aqui surge uma reflexão especialmente maçônica. Uma instituição iniciática preserva parte de sua experiência do olhar externo. Para quem está dentro, o segredo pode significar método, compromisso e experiência simbólica. Para quem está fora, porém, o segredo cria um vazio. E vazios de informação frequentemente são preenchidos pelo imaginário.

Com os Templários, o desconhecido foi preenchido por histórias de negação de Cristo, ídolos e práticas ocultas. Séculos depois, a Maçonaria também seria acusada popularmente de satanismo, culto a Lúcifer, Baphomet e conspirações anticristãs.

No século XIX, esse mecanismo atingiu um exemplo quase caricatural. Léo Taxil construiu uma extensa fraude antimaçônica, descrevendo uma suposta ordem secreta luciferiana, rituais demoníacos e personagens fictícios. Em 1897, ele próprio revelou publicamente que suas 'revelações' eram uma farsa. Apesar disso, elementos desse imaginário continuaram a circular.

Quando não conhecemos o que existe atrás da porta, somos tentados a colocar atrás dela aquilo que mais tememos.

5. Da memória templária à Maçonaria moderna

É necessário separar tradição de demonstração histórica. Não existe prova documental suficiente de uma continuidade institucional direta entre a Ordem do Templo medieval e a Maçonaria moderna. Mas existe, sem dúvida, uma poderosa tradição templária dentro de sistemas maçônicos posteriores.

O Templo de Salomão já oferece uma ponte simbólica evidente. Na Maçonaria, o Templo não é apenas edifício histórico: é linguagem de construção moral. Pedra bruta, ferramentas, colunas, arquitetura e aperfeiçoamento do homem transformam o ato de construir em alegoria iniciática. Os próprios Templários receberam seu nome de sua associação ao local do Templo em Jerusalém.

Em 1717, temos o marco tradicional da primeira Grande Loja em Londres; em 1723, as Constituições de Anderson. E aqui aparece uma ideia fundamental: a Loja como 'Center of Union', um centro capaz de aproximar homens que, fora dali, poderiam permanecer separados.

6. Anderson e um paradoxo de 1738

Esse conceito merece atenção. O que a Maçonaria moderna apresenta como virtude — permitir que diferenças confessionais não impeçam a fraternidade — será visto por Roma sob outra lente.




Quinze anos depois das Constituições de Anderson, Clemente XII publicou In Eminenti, em 28 de abril de 1738. Entre os motivos de preocupação estavam justamente reuniões reservadas, compromissos internos e a reunião de homens de diferentes religiões.

Aquilo que para a Maçonaria poderia ser um 'centro de união' aparecia, para a autoridade religiosa, como motivo de desconfiança.

Esse contraste talvez seja mais profundo do que uma simples divergência ritual. Ele toca uma questão de autoridade: pode existir uma fraternidade moral, supraconfessional, capaz de reunir homens sem que uma autoridade religiosa determine previamente os limites dessa união?

7. Ramsay: cavalaria, Cruzadas e uma identidade que se amplia

Nesse ambiente surge Andrew Michael Ramsay. Em sua célebre oração de 1736/1737, ele relacionou a fraternidade aos Cruzados, à Terra Santa, a Salomão e a uma tradição cavaleiresca. O próprio Scottish Rite, Southern Jurisdiction, observa que os 'Crusaders' de Ramsay acabaram, posteriormente, transformando-se na teoria de uma descendência templária.

Não devemos afirmar que Ramsay causou a bula de 1738; não existe documentação que sustente isso. Mas sua oração pertence exatamente ao momento em que a identidade maçônica ganhava novas dimensões. Podemos imaginá-la como mais um elemento num copo de tensões políticas, religiosas e sociais que já estava praticamente cheio.

8. O fio que atravessa 1302, 1307 e 1738: poder

É aqui que proponho a tese central desta peça. Não seria historicamente responsável dizer que religião e princípios eram apenas desculpas e que tudo se reduzia ao poder. As pessoas daqueles períodos realmente possuíam convicções religiosas profundas. Mas também seria ingênuo estudar esses acontecimentos ignorando a disputa pelo poder.

Em 1302, discutia-se a supremacia do espiritual sobre o temporal. Em 1307, uma Ordem autônoma ficou presa entre a Coroa e o papado. Em 1738, uma fraternidade independente, reservada e supraconfessional passou a ser formalmente condenada por Roma.

Em todos esses episódios retorna uma pergunta: quem possui autoridade para organizar os homens, estabelecer compromissos, definir os limites da consciência e determinar quais vínculos são legítimos?

Talvez a história entre a Cruz e o Esquadro seja também uma história sobre os limites da autoridade.

9. Deus, G∴A∴D∴U∴ e a acusação de irreligiosidade

Chegamos então a outra questão recorrente: a ideia de que a Maçonaria não estaria vinculada a Deus ou esconderia algum culto demoníaco. É fundamental distinguir propaganda antimaçônica da posição oficial contemporânea da Igreja.

Roma não fundamenta hoje sua proibição dizendo oficialmente que os maçons adoram Satanás. O documento de 1983 fala em princípios considerados inconciliáveis com a doutrina católica; em 2023, essa incompatibilidade foi reafirmada.

A resposta maçônica merece igual precisão. A Maçonaria regular não é uma religião e não pretende substituir uma Igreja. Não administra sacramentos nem oferece uma doutrina própria de salvação. O G∴A∴D∴U∴ não precisa ser entendido como um 'deus maçônico'. É uma designação universal do Criador que permite ao Irmão compreender o Supremo conforme sua própria fé.

Há uma diferença decisiva entre dizer 'todas as religiões são iguais' e dizer 'homens de religiões diferentes podem ser Irmãos'.

Tolerância não é necessariamente relativismo. O maçom cristão não precisa deixar Cristo do lado de fora da Loja para reconhecer a dignidade religiosa de outro Irmão.

10. A pergunta contemporânea

A posição católica permanece clara: a filiação maçônica é proibida aos fiéis porque Roma entende que há incompatibilidade de princípios. Uma análise séria precisa reconhecer isso antes de criticá-la.

Mas a perspectiva maçônica também pode formular uma pergunta legítima. Em 1738, a reunião de homens de diferentes religiões era vista como elemento de suspeita. Hoje, o diálogo entre diferentes tradições religiosas tornou-se parte importante da própria convivência pública e do diálogo promovido por instituições religiosas.

Portanto, quase três séculos depois, quais elementos da incompatibilidade são propriamente teológicos e quais ainda carregam a memória de um mundo em que religião, Estado, autoridade e liberdade de associação se organizavam de maneira profundamente diferente da atual?

11. Conclusão — Entre a Cruz e o Esquadro

Talvez o conflito entre a Cruz e o Esquadro nunca tenha sido simplesmente um conflito entre fé e ausência de fé. Ao longo da história, encontramos fé verdadeira, divergências doutrinárias reais, mas também encontramos instituições disputando autoridade, autonomia e influência sobre os homens.

Os Templários nos lembram como uma organização religiosa, autônoma e cercada de segredo pôde tornar-se alvo de acusações extraordinárias em meio a uma disputa de poder. A história da Maçonaria mostra como o mesmo desconhecimento externo alimentou, séculos depois, novas narrativas de irreligiosidade, satanismo e conspiração.

A Maçonaria, entretanto, propõe ao iniciado uma tarefa diferente: não aceitar simplesmente a narrativa mais confortável, mas trabalhar a pedra, investigar, comparar e buscar a verdade.

Se a tolerância não exige que abandonemos nossa fé, mas apenas que respeitemos a fé do outro, onde termina a incompatibilidade religiosa — e onde começa uma divergência histórica sobre consciência, autoridade, autonomia e poder?

Talvez essa pergunta não tenha uma resposta única. E talvez seja exatamente por isso que ela seja digna de ser levada ao interior de uma Loja.

Referências essenciais para aprofundamento

ANDERSON, James. The Constitutions of the Free-Masons. Londres, 1723.

RAMSAY, Andrew Michael. Oration of the Chevalier Ramsay, 1736/1737.

BONIFÁCIO VIII. Unam Sanctam. 1302.

CLEMENTE XII. In Eminenti Apostolatus Specula. 1738.

BENTO XIV. Providas Romanorum Pontificum. 1751.

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Declaração sobre a Maçonaria. 26 nov. 1983.

DICASTÉRIO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Resposta sobre participação de fiéis católicos na Maçonaria. 13 nov. 2023.

SCOTTISH RITE OF FREEMASONRY, S.J., U.S.A. Freemasonry Q&A: What was Ramsay’s Oration?

QUATUOR CORONATI LODGE No. 2076. Ars Quatuor Coronatorum.

LYTTLE, Charles H. Historical Bases of Rome’s Conflict with Freemasonry. Church History, 1940.

BENNETT, John Richardson. The Origin of Freemasonry and Knights Templar. 1907.

BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. The Temple and the Lodge. (Consultar como interpretação da tese templária, não como prova de continuidade institucional.)

Documentação do processo templário e Pergaminho de Chinon.



IR.'. RAPHAEL C. CARDOSO 


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

DIA DO MAÇOM

 Dia 18 de Agosto de 2026, na Augusta e Respeitável Loja Maçônica Alpha e Ômega do Oriente de Uberlândia MG, do Rito Brasileiro, o Irmão Lemuel Delfino Alves, apresentou uma belíssima palestra em comemoração ao Dia do Maçom :




20 de Agosto — Dia Nacional do Maçom

O dia 20 de agosto é tradicionalmente celebrado no Brasil como o Dia do Maçom. Mais do que uma data comemorativa, este é um momento que nos convida a refletir sobre aquilo que significa ser maçom. 

Vestir um avental, frequentar uma Loja ou possuir um grau não é, por si só, o que define um maçom. A verdadeira construção maçônica acontece na maneira como conduzimos nossa vida, tratamos nossos Irmãos, cuidamos de nossas famílias e cumprimos nossos deveres perante a sociedade.

Por isso, falar sobre o Dia do Maçom é também falar sobre responsabilidade, exemplo e legado.

Por que 20 de agosto? 

A escolha do dia 20 de agosto está ligada à história da Maçonaria brasileira e ao período da Independência do Brasil. 

Em 1822, a Maçonaria participava intensamente das discussões políticas e sociais que envolviam o futuro do país. Personagens importantes daquele período tiveram ligação com a Ordem, entre eles Joaquim Gonçalves Ledo e José Bonifácio de Andrada e Silva. 

Uma das referências históricas associadas à data é uma sessão maçônica ocorrida em agosto de 1822, na qual foram debatidos os rumos políticos do Brasil e sua separação de Portugal. 

Existe, entretanto, uma particularidade histórica importante: devido às diferenças entre o calendário utilizado nos registros maçônicos da época e o calendário civil, historiadores discutem a correspondência exata dessa sessão com o atual dia 20 de agosto.

Isso não diminui o significado da data. Pelo contrário, mostra que devemos conhecer nossa história com profundidade, distinguindo a tradição dos fatos históricos documentados. 

A Maçonaria e a construção do Brasil .

A presença de maçons em momentos importantes da história brasileira é conhecida. 

No processo de Independência, na formação política do Império e posteriormente em movimentos sociais e republicanos, encontramos homens ligados à Maçonaria participando dos acontecimentos de seu tempo.

Mas é importante fazer uma distinção. 

Não devemos afirmar simplesmente que “a Maçonaria fez a Independência do Brasil”. 

A história é muito maior e mais complexa. Podemos afirmar, porém, que maçons tiveram participação relevante nos debates e acontecimentos que contribuíram para a formação do Brasil independente. 

Essa diferença é importante porque a Maçonaria deve buscar não apenas transmitir tradições, mas também respeitar a verdade histórica.

O que significa ser maçom hoje? 

Talvez essa seja a parte mais importante desta reflexão. 

Dois séculos depois daqueles acontecimentos, qual é o papel do maçom? 

Hoje nossa batalha não acontece nos mesmos campos políticos de 1822. 

Nossa construção acontece principalmente dentro de nós mesmos. 




A Maçonaria nos apresenta a imagem da Pedra Bruta como representação de nossas imperfeições. 

E talvez o maior desafio do maçom seja justamente este: 

Não passar a vida inteira tentando corrigir o mundo enquanto esquece de desbastar a própria pedra.

Ser maçom exige coerência.

Não adianta defender fraternidade dentro do Templo e cultivar discórdia fora dele. 

Não adianta falar sobre moral e agir sem princípios. 

Não adianta buscar conhecimento maçônico e esquecer os deveres com a família. 

Não adianta receber títulos, cargos ou graus se eles não forem acompanhados de humildade e responsabilidade.

Liberdade, Igualdade e Fraternidade .




Os princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade continuam extremamente atuais. 

Liberdade, porque o homem precisa ter liberdade de consciência para buscar a verdade. 

Igualdade, porque dentro da Loja aprendemos que posição social, profissão ou condição financeira não tornam um homem superior ao outro.

Fraternidade, porque não basta chamarmos uns aos outros de Irmãos. Precisamos transformar essa palavra em comportamento. 

A fraternidade verdadeira aparece principalmente quando um Irmão precisa do outro.

O maçom fora do Templo

Talvez uma das maiores responsabilidades do maçom seja compreender que sua condição não termina quando os trabalhos da Loja são encerrados. 

Na verdade, é justamente ali que começa a parte mais difícil. 

O mundo não conhece nossos sinais, nossos rituais ou nossos trabalhos internos.

O mundo conhece nossas atitudes. 

Conhece o empresário que somos. 

O profissional que somos. 

O marido, pai, filho e amigo que somos.

Conhece a nossa palavra. 

Conhece nossa honestidade.

Conhece a maneira como tratamos quem não pode nos oferecer nada em troca. 

Por isso, cada maçom, querendo ou não, carrega consigo parte da imagem da Instituição. 

Uma reflexão para o Dia do Maçom 

No dia 20 de agosto, podemos receber felicitações pelo Dia do Maçom. 

Mas talvez a pergunta mais importante não seja: 

“Há quanto tempo sou maçom?”

A pergunta deveria ser: “Quanto a Maçonaria conseguiu transformar o homem que eu sou?” 

Porque podemos contar os anos de iniciação. 

Podemos contar nossos graus. Podemos contar os cargos que ocupamos. 

Mas nenhuma dessas coisas, isoladamente, mede nossa evolução. 

A verdadeira medida está na transformação. 

Se hoje somos mais tolerantes do que ontem. 

Se aprendemos a ouvir antes de julgar. 

Se nossa palavra passou a ter mais valor.

Se nossa família percebe em nós um homem melhor. 

Se conseguimos reconhecer nossos próprios erros.

Então nossa caminhada está produzindo frutos. 

Conclusão

Celebrar o Dia Nacional do Maçom não deve ser apenas homenagear aqueles que participaram da história.

É também assumir a responsabilidade de continuar construindo.

Nossos antecessores enfrentaram os desafios do tempo deles. 

Nós precisamos enfrentar os desafios do nosso.

E talvez a maior contribuição que cada um de nós possa oferecer à Maçonaria e à sociedade seja relativamente simples: ser um homem melhor quando sair do Templo do que era quando entrou. 

Porque os Templos podem ser construídos com pedra, madeira e aço. 

Mas o grande Templo que a Maçonaria nos ensina a construir é feito de caráter, virtude e boas obras.

Que o Supremo Arquiteto do Universo nos conceda sabedoria para reconhecer nossas imperfeições, força para corrigi-las e perseverança para continuar trabalhando na construção de nós mesmos. 

Feliz Dia Nacional do Maçom. 

20 de agosto.


Lemuel Delfino Alves 

CIM 352663


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

DIA DOS PAIS 2026

 Dia 11 de Agosto a Loja Maçônica Alpha e Ômega 3402 do Oriente de Uberlândia MG, abriu suas portas para receber uma homenagem pública, em alusão ao dia dos Pais. 



A Sessão comandada pelo Venerável Mestre Marcos Ferreira Vasconcelos,  contou com a presença da Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul Alpha e Ômega, lideradas pela Cunhada Presidente Sávia , Sobrinhas e Sobrinhos, Cunhadas ,  Convidados e a participação Ilustre do Bethel Áurea do Triangulo da Ordem Internacional das Filhas de Jó que apresentou uma belíssima homenagem aos Pais presentes .

Após a sessão foi servido no Salão de Festas um belíssimo jantar .

Abaixo segue fotos do evento, com créditos ao Irmão Carlos Alberto de Almeida Leal : 





quinta-feira, 2 de julho de 2026

TRABALHO APRESENTADO EM LOJA

No dia 30 de Junho, ainda nas comemorações  ao Patrono da Maçonaria, o Irmão Lemuel  Delfino Alves apresentou a palestra abaixo em alusão a essa importante data : 

 

 SÃO JOÃO BATISTA E A MAÇONARIA 





Quando recebi o tema “São João Batista e a Maçonaria”, imaginei que encontraria apenas uma explicação histórica sobre o motivo de seu nome estar ligado à Ordem. Porém, ao estudar um pouco mais, percebi que essa ligação vai muito além da história.

 Ela está relacionada aos princípios que São João Batista viveu e que também fazem parte da caminhada maçônica.

São João Batista é lembrado como aquele que preparou caminhos. Sua missão não era chamar atenção para si, mas preparar as pessoas para algo maior. Essa atitude, por si só, já nos traz uma importante reflexão como maçons: antes de querer ensinar, devemos preparar a nós mesmos.

Quem foi São João Batista?

São João Batista foi um homem conhecido por sua simplicidade, coragem e fidelidade aos seus princípios.

Viveu de forma humilde, pregando a mudança de comportamento, a justiça e O arrependimento. Mesmo diante das autoridades de sua época, jamais abandonou aquilo que acreditava ser correto.

Sua vida demonstra firmeza de caráter, honestidade e compromisso com a verdade, virtudes que também fazem parte dos ensinamentos da Maçonaria.

Ele não buscava riquezas, prestígio ou poder. Seu objetivo era despertar nas pessoas uma transformação interior.

Essa talvez seja uma das maiores semelhanças entre sua missão e a missão maçônica.

São João Batista na tradição maçônica

Desde a época das antigas corporações de construtores, São João Batista passou a ser considerado o patrono dos pedreiros e construtores.

Mais tarde, quando surgiu a Maçonaria Especulativa, essa tradição foi preservada.

Por esse motivo, muitas Lojas receberam o nome de Lojas de São João, não por serem instituições religiosas, mas como forma de homenagear um homem que simboliza valores universais.

É importante compreender que a Maçonaria não presta culto a São João Batista.

Ela apenas reconhece sua vida como um exemplo de virtudes que todo maçom deve procurar desenvolver.

O simbolismo de São João Batista



Na minha visão, São João Batista representa três ensinamentos muito importantes para nós.

O primeiro é a retidão. Ele nunca negociou seus princípios, mesmo sabendo que isso lhe custaria a própria vida.

O segundo é a humildade. Mesmo sendo admirado por muitas pessoas, sempre deixou claro que sua missão era servir e preparar o caminho para algo maior do que ele.

O terceiro é a transformação interior. Sua mensagem sempre foi de mudança, mostrando que ninguém evolui permanecendo exatamente como começou.

Esses três pontos combinam perfeitamente com o trabalho maçônico.

Afinal, todos nós entramos na Ordem para buscar nosso aperfeiçoamento mora! e intelectual.

Mas conhecimento, sozinho, não transforma ninguém.

São João Batista nos ensina que aprender deve resultar em mudança de atitude.

Não adianta conhecer os símbolos, decorar ensinamentos ou estudar filosofia se nossas ações continuam as mesmas.

O verdadeiro crescimento acontece quando aquilo que aprendemos passa a fazer parte da nossa vida. 

Começamos a compreender que a construção do Templo Interior exige disciplina, estudo, humildade e, principalmente, coerência entre aquilo que falamos e aquilo que fazemos.

A festa de São João

 O dia 24 de junho é tradicionalmente comemorado por diversas Lojas Maçônicas em todo o mundo.

Além de possuir importância histórica, essa data representa um momento de união entre os irmãos e de renovação dos compromissos assumidos dentro da Ordem.

Mais do que celebrar uma data, celebramos os valores representados por São João Batista.

Minha reflexão

Depois de estudar esse tema, percebi que São João Batista continua sendo atual.

Vivemos em uma época em que muitas pessoas procuram reconhecimento, aparência e prestígio.

São João fez exatamente o contrário.

Ele mostrou que o verdadeiro valor está no caráter.

A Maçonaria também nos ensina isso.

Os títulos, cargos e honrarias passam.

Mas aquilo que realmente permanece é a qualidade do homem que estamos nos tornando.

Acredito que esse seja o motivo pelo qual São João Batista permanece tão presente na tradição maçônica.

Ele representa o exemplo de alguém que construiu primeiro a si mesmo para depois influenciar outras pessoas.

Esse é exatamente o trabalho que todos nós buscamos realizar dentro da Ordem.

Conclusão

Ao concluir este estudo, compreendi que São João Batista ocupa um lugar especial na tradição maçônica não por questões religiosas, mas porque sua vida representa valores que jamais envelhecem.

Sua coragem, humildade, honestidade e disposição para preparar caminhos fazem dele um modelo de conduta para qualquer homem que deseje evoluir.

Antes de querer transformar o mundo, preciso continuar trabalhando em mim mesmo.

Somente um homem que busca diariamente seu próprio aperfeiçoamento pode contribuir verdadeiramente para a construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais virtuosa.

São João Batista, deixa claro que sua ligação com a Maçonaria vai muito além de uma tradição histórica. Ela existe porque sua vida foi marcada por princípios que também fazem parte da nossa caminhada maçônica: humildade, coragem, retidão, verdade e transformação interior.

São João Batista dedicou sua vida a preparar caminhos para algo maior do que ele mesmo. Da mesma forma, a Maçonaria nos convida a preparar o nosso próprio espírito, lapidando nossas imperfeições e buscando ser homens melhores a cada dia.

Entendo que esse ensinamento ganha ainda mais força. Aprender é importante, mas colocar esse aprendizado em prática é o que realmente nos faz evoluir.

Saio deste trabalho convencido de que o maior legado de São João Batista para nós não está apenas na história, mas no exemplo de vida que deixou. Seu testemunho nos lembra que à verdadeira grandeza não está no reconhecimento das pessoas, e sim na firmeza dos nossos princípios e no compromisso permanente com o aperfeiçoamento moral.

Na minha opinião, essa é a principal mensagem que São João Batista continua transmitindo à Maçonaria até os dias de hoje.



Ir.'.  Lemuel Alves 


Imagens da Internet 


domingo, 28 de junho de 2026

TRABALHO APRESENTADO EM LOJA

Dia 16 de Junho de 2026, o Irmão Carlos Alberto de Almeida Leal, apresentou um belíssimo trabalho no Tempo de Instrução da Loja Maçônica Alpha e Ômega.  




Esse trabalho é fruto de uma minuciosa pesquisa que o Irmão nos trouxe, com os números da Maçonaria no âmbito Municipal, Estadual, Federal e Mundial. 


A Maçonaria em Uberlândia 







A Maçonaria no Brasil e no Mundo






IR.'. CARLOS A. LEAL

sexta-feira, 26 de junho de 2026

TRABALHO APRESENTADO EM LOJA

 Dia 23 de Junho durante o Tempo de Instrução, o Irmão Hospitaleiro Lindomar Apº. Furniel de Oliveira, apresentou o trabalho abaixo, trazendo um tema importante para a nossa reflexão: 

 O Universo Vibratório –

Da Física Quântica ao Hermetismo




Introdução: O Tecido Invisível da Realidade


Se quisermos compreender os maiores mistérios da vida, precisamos parar de olhar para o mundo como um amontoado de objetos sólidos. Hoje, vamos fazer uma jornada que une a ciência de vanguarda e as tradições mais antigas da humanidade. Vamos descobrir que a Física Quântica, o Hermetismo, a Rosa-Cruz, a Maçonaria e as Religiões  compartilham exatamente a mesma verdade fundamental: tudo no Universo é vibração.

1. O Pilar Hermético: A Lei da Vibração

Nossa primeira parada é no Antigo Egito, com os ensinamentos de Hermes Trismegisto compilados no Caibalion. [1]

  • O Terceiro Princípio Hermético: O Princípio da Vibração afirma textualmente: "Nada está parado; tudo se move; tudo vibra".

  • A Diferença é a Frequência: Desde a matéria mais densa (uma rocha) até o Espírito Puro, a diferença está apenas na taxa de vibração.

  • O Mentalismo: Como o primeiro princípio hermético diz que "O Todo é Mente", nossos pensamentos também são vibrações reais que moldam a nossa realidade diária.

2. O Pilar da Física Quântica: A Ciência da Frequência






Muitos séculos depois de Hermes, a ciência moderna finalmente alcançou os sábios da antiguidade.

  • O Fim da Matéria Sólida: Se você olhar um átomo em um microscópio potente, verá que ele é 99,99999% espaço vazio. O que chamamos de "sólido" é apenas energia concentrada se movendo em alta velocidade.

  • A Teoria das Cordas: A física teórica atual sugere que as partículas subatômicas fundamentais não são pontos, mas "cordas" vibratórias. O Universo é, literalmente, uma sinfonia musical. [2, 3]

  • Efeito do Observador: Experimentos quânticos provam que a intenção e a atenção do observador colapsam a função de onda. Ou seja, a sua vibração mental altera o comportamento da matéria. [4]

3. O Pilar Rosacruz: A Harmonia das Esferas e o Som Supremo






A Ordem Rosacruz aborda a vibração através do misticismo prático e do estudo da harmonia cósmica.

  • O Vowel Sounds (Sons Vocálicos): Os rosacruzes utilizam a entonação de sons específicos (como o OM ou o RA) para sintonizar os centros psíquicos (chacras) do corpo físico com as frequências cósmicas.

  • A Escala Vibratória da Consciência: Para a tradição Rosa-Cruz, a saúde é o estado de harmonia vibratória perfeita (harmonia), enquanto a doença é uma desarmonia ou descompasso vibratório.

  • A Rosa e a Cruz: A cruz representa a matéria (o corpo) e a rosa representa a alma desabrochando. Esse desabrochar nada mais é do que a elevação gradual da taxa vibratória do estudante.

4. O Pilar Maçônico: Frequência, Ritmo e Construção do Templo






Na Maçonaria, a vibração não é frequentemente dita com essa palavra moderna, mas está totalmente codificada em seus símbolos, ferramentas e rituais.

  • A Bateria e os Aplausos: Os ritmos cadenciados e os golpes das baterias maçônicas nos graus criam uma egrégora — uma ressonância coletiva que unifica a mente e o coração dos irmãos no templo.

  • A Palavra Sagrada: A busca pela "Palavra Perdida" representa a busca pela vibração primordial, o Logos criador que deu início ao Universo.

  • As Ferramentas do Canteiro: O Maçom usa o maço e o cinzel para desbastar a pedra bruta. Metaforicamente, isso significa quebrar as frequências densas do egoísmo e dos vícios para fazer vibrar as frequências elevadas da virtude e da fraternidade.

No ponto de vista das religiões e espiritualidades, a vibração é a manifestação da energia divina que compõe e movimenta tudo o que existe no universo. Embora o termo científico "frequência" seja mais recente, tradições milenares e contemporâneas descrevem o mesmo fenômeno por meio de conceitos como som sagrado, fluidos, axé ou sintonias mentais. [1, 2, 3, 4, 5]

Abaixo estão descritas as principais visões religiosas e espirituais sobre a vibração:

Religiões Orientais (Hinduísmo e Budismo)

Espiritismo

Religiões de Matriz Africana (Umbanda e Candomblé)

  • Axé em Movimento: A vibração é o movimento ondulatório que ativa o Axé (a energia vital e sagrada).

  • Aparelho Mediúnico: O médium atua como um instrumento que capta e materializa as vibrações de seres intangíveis e Orixás.

  • Elementos Sagrados: Atabaques, cantos (pontos) e defumações servem para alterar o padrão vibratório do terreiro. 


Religiões Abraâmicas (Cristianismo, Judaísmo e Islamismo)

  • Embora não utilizem o termo "vibração" de forma direta na teologia tradicional, o conceito se manifesta de outras formas: [10]

  • A Palavra de Deus: No Gênesis, a criação ocorre através da voz divina ("E Deus disse: Haja luz"), o que representa a energia do som em ação.

  • O Espírito Santo / Shekinah: A presença divina é descrita muitas vezes como um sopro, fogo ou vento avassalador que altera o ambiente físico e o estado espiritual dos fiéis.


  • *Vibração e Jesus* se encontram num ponto bem bonito: frequência alta, presença, amor sem condição. 



  • Jesus falava muito de "estar no mundo mas não ser do mundo" — isso soa muito com elevar vibração. Perdoar, servir, gratidão, presença no agora... tudo isso muda a frequência que você transmite.


  • Na prática, muita gente traduz isso como: menos julgamento, mais compaixão. Menos medo, mais fé. A ideia é que quando você vibra em amor, você está mais alinhado com o que Ele ensinou.

Conclusão: Sintonizando a Sua Estação de Rádio

Imagine que você é um rádio. Se você sintonizar na frequência de 91.5 FM, você não vai ouvir o que está passando na 105.7 FM. Da mesma forma:

  • Se você vibrar no medo, na raiva ou na escassez (baixa frequência), você só sintonizará experiências dessa mesma natureza.

  • Se você vibrar no amor, na gratidão, no estudo e na fraternidade (alta frequência), o Universo quântico e espiritual responderá na mesma moeda.


Elevar vibração é basicamente treinar seu estado interno. Vibração alta = emoções como gratidão, paz, amor, coragem. Vibração baixa = medo, raiva, culpa, vergonha.


*3 caminhos rápidos que funcionam:*


*1. Corpo primeiro*  

Seu corpo é a antena. Água, sol no rosto 5 min, respiração profunda,  dormir bem. Corpo pesado puxa a vibração pra baixo sem você perceber.


*2. Troca de foco*  

Onde vai atenção, vai energia. Gratidão força isso. Perdoar também. Rancor é âncora. Jesus resumiu isso em "amai ao próximo" - soltar julgamento libera muita carga.


*3. Ambiente + pessoas*  

Música, palavras, boa leitura, quem você escuta. Tudo vibra. Troca uma música de reclamação por uma que te expande. Se afasta de conversa que só drena.


A física provou, o hermetismo ensinou, a Rosa-Cruz praticou, a Maçonaria ritualizou e as Religiões bebem nessa fonte . A chave da vida está em nossas mãos: elevemos a nossa vibração!!!



Ir.'. Lindomar Furniel

Imagens da Internet