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terça-feira, 3 de março de 2026

DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM

22 DE FEVEREIRO DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM





A palavra maçom tem origem no francês maçon, que significa "pedreiro" ou "construtor".

 O termo deriva do francês antigo, referindo-se aos pedreiros medievais que viajavam livremente para construir castelos e catedrais, diferenciando-se dos servos locais, representando o alicerce histórico da organização nas corporações de construtores da Idade Média.

O termo consolidou-se com a formação da primeira Grande Loja da maçonaria especulativa em Londres, em 1717, definindo os maçons como membros de uma fraternidade internacional baseada em princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

ORIGEM DO DIA DO MAÇOM

Nos dias 20, 21 e 22 de fevereiro de 1994, realizou-se em Washington, nos Estados Unidos, a Reunião Anual dos Grão-Mestres das Grandes Lojas da América do Norte (Estados Unidos, Canadá e México).

Na ocasião, estiveram presentes como Obediências as co-irmãs, a Grande Loja Unida da Inglaterra, a Grande Loja Nacional Francesa, a Grande Loja Regular de Portugal, a Grande Loja Regular da Itália, o Grande Oriente da Itália, a Grande Loja Regular da Grécia, a Grande Loja das Filipinas, além do Grande Oriente do Brasil, com uma delegação chefiada por seu Grão-Mestre,Francisco Murilo Pinto, que ali estava como observador.

Ao encerramento dos trabalhos, o Grão-Mestre da Grande Loja Regular de Portugal, Fernando Paes Coelho Teixeira, apresentou uma sugestão encampada pelos Grão-Mestres de todas as Grandes Lojas dos Estados Unidos e mais as do México e Canadá, no sentido de fixar 22 de fevereiro como o DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM, a ser comemorado por todas as Obediências reconhecidas, o que foi totalmente aprovado.

A data homenageia o nascimento de George Washington (22/02/1732), primeiro presidente dos EUA e maçom influente, promovendo os ideais de liberdade e fraternidade mundial.

A celebração internacional destaca a união de maçons ao redor do mundo, focando no aprimoramento moral e beneficência, sob os princípios da Ordem, buscando fortalecer o papel do maçom como um construtor social.

No Brasil, o Dia do Maçom é comemorado em 20 de agosto, data que marca a fundação do Grande Oriente do Brasil em 1822 e também na participação ativa de maçons na Independência do Brasil, com destaque para o discurso de Joaquim Gonçalves Ledo, em uma sessão histórica no Rio de Janeiro.




Essa data foi escolhida em referência à fundação do Grande Oriente do Brasil (GOB) em 1822, quando ocorreu a fusão das lojas maçônicas "Esperança", "Comércio e Artes" e a "União e Tranquilidade", que defendiam o Brasil livre do jugo português. A data é oficializada pelo artigo 179 da Constituição do Grande Oriente do Brasil e celebrada com sessões especiais no Congresso e Assembleias Legislativas.

Embora a data seja amplamente celebrada e reconhecida, não existe uma única "Lei Federal" suprema que a instituiu em todo o território nacional.

Em nível estadual, a data foi consolidada por leis, como a Lei Estadual nº 3.889 de 26 de outubro de 1983, em São Paulo, que instituiu o "Dia do Maçom" em 20 de agosto. No Rio de Janeiro a Lei Nº 1.160 foi instituída em 1987. Em Minas Gerais, a Lei Estadual 12.063 foi instituída em 1996.

A data é uma oportunidade de reflexão para os membros sobre seu papel como homens livres e de bons costumes na construção de um mundo melhor.

Neste momento, reconhecemos o trabalho incansável de nossos irmãos, que mantêm viva a chama da sabedoria e da virtude em nossas Lojas.

Cada maçom, ao praticar os ensinamentos da Ordem, contribui para a construção de uma sociedade mais justa e harmoniosa.

Que o Dia do Maçom sirva como reflexão sobre o nosso papel na Maçonaria e na sociedade brasileira, particularmente no âmbito do Grande Oriente do Brasil. 

Por tudo isso, meditemos sobre o que pode ser feito em prol do Brasil e de nossa Ordem e vamos transformar nossas ideias em ações concretas.

MENSAGEM

“ Que a retidão dos meus atos seja tão reta como a do esquadro e a exatidão de meu caráter seja tão certas como a do compasso. Que assim seja.

Apresentado pelo Irmão  Henrique Rosalen, no dia 24 de Fevereiro de 2026, na  A.∙.R.∙.L.∙.S.∙. Alpha & Ômega – Oriente de Uberlândia, Minas Gerais. 




IR.'. HENRIQUE ROSALEN


IMAGENS DA INTERNET

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

A MAÇONARIA NA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

Durante Sessão do dia 23 de Setembro de 2025, na Loja Maçônica Alpha e Ômega do Oriente de Uberlândia MG, o Irmão Otanes Barcelos Oliveira Neto apresentou o texto abaixo em homenagem à Independência do Brasil e o papel da Maçoraria nesse ato que marcou nosso País.


 Laços fora soldados!



Em 7 de setembro de 1822, as margens do rio Ipiranga em São Paulo, o então príncipe regente do Brasil D. Pedro I dá o grito de liberdade “Laços fora, soldados! 

Pelo meu sangue, pela minha honra, juro fazer a liberdade do Brasil. Independência ou morte!” que tiraria o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves dos portugueses e iniciaria o processo de instauração do Império do Brasil, unificando todas as terras da antiga colônia do Brasil em um império brasileiro comandando por D. Pedro I nos primeiros momentos de sua criação.

Os fatos narrados a cima contam um pouco da grande, turbulenta e complexa história de independência do Brasil onde a maçonaria teve participação e papel fundamental de auxilio durante todo o processo. 

Com destacados Irmãos como o então primeiro Imperador do império do Brasil Sereníssimo Grão-Mestre D. Pedro I, José Bonifácio de Andrada e Silva, Joaquim Gonçalves Ledo, José Clemente Pereira, Marquês de Maricá, Hipólito da Costa entre inúmeros outros irmãos que utilizavam as lojas maçônicas como ambientes de articulação intelectual e política.




 As lojas maçônicas reuniam homens influentes da época e serviam como ambiente de debate sobre liberdade, soberania e formas de governo. Lembrando que a maçonaria chegou ao Brasil ainda no período colonial, no final do século XVIII, com a influência de ideias iluministas vindas da Europa. 

Essas ideias valorizavam liberdade, igualdade, fraternidade e os direitos do homem – princípios que dialogavam diretamente com as aspirações de independência.Laços fora soldados!

Sendo assim antes mesmo de 1822, a maçonaria esteve associada a movimentos emancipacionistas, como a Inconfidência Mineira (1789): Inspirada por ideais iluministas e republicanos, defendia a independência de Minas Gerais em relação a Portugal.

 Tiradentes, considerado mártir do movimento, foi associado à maçonaria pela defesa da liberdade. Conjuração Baiana (1798): Movimento popular influenciado por ideais de igualdade, liberdade e fraternidade – também princípios difundidos no seio maçônico. Esses movimentos fracassaram, mas contribuíram para amadurecer a ideia de uma nação livre.

A fundação do Grande Oriente do Brasil e a iniciação de Dom Pedro I na maçonaria foram ações que solidificaram o movimento pela separação de Portugal, com a própria maçonaria funcionando como uma espécie gabinete de transição que preparou o terreno para a formação do novo país. 



As lojas maçônicas serviram como um centro de debate para a articulação de estratégias e a tomada de decisões cruciais para o movimento de separação.

 A participação de maçons como José Bonifácio de Andrada e Joaquim Gonçalves Ledo foram decisivas. Ambos foram importantes articuladores do processo, sendo que Gonçalves Ledo organizou o movimento e José Bonifácio teve grande proximidade com a coroa.

José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, foi um dos principais articuladores da independência, sendo um defensor ferrenho da separação de Portugal. Ele manteve uma proximidade estratégica com a coroa e teve um papel fundamental em orientar D. Pedro I em suas decisões. Bonifácio também foi um maçom influente que ajudou a unir os intelectuais, políticos e militares em torno da causa da independência. Joaquim Gonçalves Ledo, que se destacou como organizador e articulador do movimento emancipacionista, sendo também maçom. Ele esteve diretamente envolvido na coordenação de ações que fortaleceram a causa da separação do Brasil em relação a Portugal.

Durante todo o processo de independência, as lojas maçônicas foram locais cruciais de debate sobre as futuras direções políticas do Brasil.

 Nas lojas, discutia-se a soberania nacional, as estruturas de governo e o modelo político que seria adotado após a separação de Portugal.

 Muitos maçons, com suas visões iluministas e republicanas, acreditavam na construção de um Brasil livre e independente, mas também com uma estrutura política mais moderna.

 As decisões políticas tomadas nas lojas maçônicas eram, na maioria das vezes, alinhadas aos interesses das elites brasileiras, como a elite militar e a elite intelectual, que viam na independência a possibilidade de consolidar um novo Império, mais autônomo e com maiores liberdades em relação ao império Português.

A Maçonaria se apresentou como uma força coesa e articulada, sem a qual a independência do Brasil poderia ter demorado mais ou sequer ocorrido. Portanto, a Maçonaria não apenas forneceu as ideias que inspiraram a luta pela independência, mas também foi uma força ativa nos bastidores do poder, ajudando a consolidar um novo Brasil, independente e soberano.

Ir∴ Otanes Barcelos 

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

2 ANOS GOBMINAS




 GOBMINAS 
 2 Anos de União e Progresso!

No dia 09 de setembro de 2025, celebramos com alegria o 2º aniversário de fundação do GOBMINAS 🔺.

Nestes dois anos, construímos uma trajetória marcada por dedicação, inovação e fortalecimento da Maçonaria em Minas Gerais.

Avançamos em processos, ampliamos parcerias e consolidamos nosso compromisso com a transparência, a fraternidade e a modernidade.

Seguimos determinados a honrar nossos princípios e a trabalhar por um futuro cada vez mais justo, solidário e transformador.

https://www.instagram.com/lojamaconicaalphaeomega?igsh=MWxubTR1b2Fqd2lsZQ==
                 


quinta-feira, 21 de novembro de 2024

DESCERRAMENTO DO NOVO QUADRO DE PAST VENERÁVEIS ALPHA E ÔMEGA

 Antes da Sessão do último dia 19 de Novembro, a Loja Maçônica Alpha e Ômega inaugurou o novo Quadro de Past-Veneráveis no Átrio do Templo.  

Comandado pelo Venerável Mestre Domício Ferreira Neves, o ato contou com os Irmãos presentes que assistiram o descerramento do novo Quadro pelo Primeiro Venerável da Loja Irmão Aldo Borges de Freitas e pelo último Venerável Irmão Anderson Cardoso Costa.  

Nesse quadro está retratado 23 Anos de história da Loja em relação aos seus Veneráveis. 



 Past Veneráveis : Irineo de Paula Waismann, André Luiz Borges, Anderson Cardoso Costa, Aroldo Bolivar Alvarenga, Domício Ferreira Neves ( atual Venerável ) e Aldo Borges de Freitas.  


No final da sessão houve uma saudação ao Pavilhão Nacional em  homenagem ao dia da Bandeira . 




sexta-feira, 6 de setembro de 2019

TRABALHO APRESENTADO PELO IRMÃO MAX FERREIRA

No dia 03 de Setembro de 2019 o Irmão Max Ferreira da Silva apresentou na Loja Maçônica Alpha e Ômega o trabalho abaixo sobre a participação da Maçonaria na Independência do Brasil : 

IRMÃO MAX FERREIRA


A MAÇONARIA E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL



Inicialmente, gostaríamos de esclarecer que, quando falamos nos feitos da Maçonaria, queremos dizer sobre os Maçons que agiram de forma organizada, mas muita das vezes, de maneira isolada.

Alguns autores entendem que, a história de nossa independência política começou com a vinda da família real portuguesa para o Brasil. Entretanto, para outros historiadores maçons, esse processo teria começado muito antes, ou seja, já em 1724, com a fundação da Academia Brasílica dos Esquecidos.

Podemos dizer que, a Independência do Brasil foi sendo construída ao longo de um século, sob fortes influências maçônicas, a qual foi, paulatinamente, ganhando força. Começara, mesmo que timidamente, com a primeira organização ou associação, que escondia em sua essência o ideal de libertação do Brasil de Portugal.

Inicialmente, foram criadas associações revestidas de serem literárias ou beneficentes. Contudo, sua finalidade precípua era pautada no ideal libertário, de apartar o Brasil de Portugal, ainda que essas ações fossem pouco percebidas nesse momento.

Nesse intuito, várias organizações foram fundadas sob o nome de “Academia”, “Sociedade”, “Clube” etc., porém, no fundo, o propósito era de libertar o Brasil do jugo de Portugal.

Assim, segundo o grande historiador Kurt Prober, a primeira Sociedade Secreta da qual se teve notícias foi a Academia Brasílica dos Esquecidos, fundada em 7 de março de 1724, em Salvador, Bahia, pelo Padre Gonsalo Soares de França.

Seguida a ela, destacamos a Academia dos Felizes que foi fundada em 1736, no Rio de Janeiro, cidade em que, no ano de 1752, tivemos a fundação da Academia dos Seletos ou Associação Literária dos Seletos.

A Academia dos Renascidos também conhecida como Academia Científica, foi fundada em 19 de maio de 1759, na Bahia. O objetivo inicial desta Associação era escrever a história da América portuguesa.

Também destacamos a fundação da Sociedade Literária do Rio de
Janeiro, fundada em 1786 e, neste mesmo ano, o Clube dos Inconfidentes fundado, em Ouro Preto, à época, José Alvares Maciel era um dos seus principais líderes.

Destacamos ainda a fundação do Areópago de Itambé, em Pernambuco, no ano de 1796. E, no ano seguinte, em 1797, a fundação da “Loja” Cavaleiros da Luz, na povoação da Barra, na Bahia, ensejando a Conjuração dos Alfaiates ocorrida em 1798, neste Estado e a qual teve participação e liderança de Maçons.

Em 1800 tivemos a criação da Loja Maçônica União, em Niterói, a qual foi instalada em 1801 com o nome de Loja Reunião.

Em 1802, foi fundada na Bahia, a Loja Virtude e Razão. Posteriormente, as Lojas Constância, Filantropia e Emancipação, fundadas em 1804. Contudo, em 21 de agosto de 1806 ocorreu a suspenção dos trabalhos maçônicos dessas Lojas.

Ressaltamos que, no início, em 1813, tivemos o surgimento de um Grande Oriente Brasileiro, uma Obediência considerada efêmera e sem suporte legal, cujo Grão-Mestre fora o Irmão Antônio Carlos Ribeiro de Andrade Machado e Silva.

Embora tivéssemos a fundação dessa Obediência, somente dois anos após o seu surgimento é que teríamos, de fato, o começo do que se tornou hoje o Grande Oriente do Brasil.

Nesse sentido, lembramos que, em 15 de Novembro de 1815, foi fundada a Loja Comércio e Artes, considerada a Primaz do Brasil e que, inicialmente, ficou subordinada ao Grande Oriente Lusitano. Sua fundação visava fortalecer o processo que se iniciara na direção da Independência do Brasil.

Todavia, apesar da referida Loja ter sido criada com o objetivo de concretizar a Independência, segundo alguns autores, D. João VI a teria proclamado, em dia 16 de dezembro de 1815, elevando-o a categoria de “Reino Unido de Portugal e Algarves”.

Vale ressaltar que, com o Alvará de 30 de março de 1818, em que o Príncipe Regente D. João proibia a existência de quaisquer sociedades secretas em Portugal e em todos os seus domínios, a Loja Comércio e Artes acabou por suspender seus trabalhos.

Em 26 de abril de 1821, D. João ao partir para Portugal se despediu de D. Pedro, Príncipe Regente, aconselhando-o: “Pedro, se o Brasil se separa, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”.

A esse respeito, a história registra que, antes do “Grito do Ipiranga” e nos momentos mais difíceis, D. Pedro recorria a seu pai, D. João VI, escrevendo-lhe cartas, narrando os acontecimentos de forma leal e
respeitosa, assim, podemos citar uma sequência delas: 04/10/1821; 11/12/1821; 30/12/1821; 02/01/1822; 09/01/1822; 23/01/1822; 16/02/1822; 14/03/1822; 28/04/1822; 21/05/1822; 11/06/1822; 19/06/1822; 22/06/1822.

Dessa forma, podemos dizer que, o que ocorria no cenário político do Brasil repercutia diretamente na maçonaria. Sendo assim, somente após o retorno de D. João VI para Portugal, em 24 de junho de 1821 é que ocorreu a reinstalação da Loja Comércio e Artes com o título distintivo de Loja Comércio e Artes na Idade do Ouro, com o principal objetivo, como já citamos, de conquistar a emancipação política do Brasil.

Portanto, a Loja Comércio e Artes retomou seus trabalhos com toda força e vigor, passando a agregar um grande número de obreiros. Por isso, no início do ano de 1822, ficou acertado seu desdobramento em mais duas, com vistas a criação de uma Obediência Maçônica que congregasse e representasse todos os maçons do Brasil, perfazendo um total de três Lojas, a saber:
A Loja Comércio e Artes que simboliza a idade do Ouro.


A Loja União e Tranquilidade 

simbolizando as palavras de D. Pedro, na varanda do paço, em 9 de janeiro de 1822. Nesse sentido, Kurt Prober afirma que, na eleição para a escolha do nome distintivo da Loja, havia também a opção do nome “Nove de Janeiro”, alusiva ao dia do Fico, não teve o apoio da maioria, prevalecendo, assim, União e Tranquilidade.
E, por última, a Loja Esperança de Nictheroy 

que simbolizava um projeto ambicioso, o qual visava a emancipação do então Reino português desse continente americano, ou seja, objetivava afastar deste continente o domínio de Portugal.

Assim surgia, em 17 de junho de 1822, o que viria a ser a maior potência maçônica da América Latina: o Grande Oriente do Brasil, fundado pela união dessas três Lojas Maçônicas regulares que então surgiam, a saber.


Vale lembrar que, o dia 09 de janeiro de 1822 ficou marcado em nossa História como o “Dia do Fico”. Isso pois, ao receber o documento que pedia sua permanência no Brasil, D. Pedro, orgulhosamente, declarou: “Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: „diga ao povo que fico‟.”

Poucos meses depois, aconselhado por José Bonifácio, D. Pedro assinou um decreto no qual estabelecia que, toda e qualquer ordem oriunda de Portugal só seria obedecida e executada após o “Cumprase” do Príncipe Regente.


É importante salientar que, em 13 de maio de 1822, D. Pedro recebeu o título, oferecido pelos maçons, de DEFENSOR PERPÉTUO DO BRASIL, para tanto, fora promovida uma grande festa.
Como podemos observar, a Fundação do Grande Oriente do Brasil e a proclamação da Independência são dois fatos históricos intimamente interligados, não só pela participação direta e efetiva de grandes Maçons, mas, dentre outras coisas, pelo próprio fato de que o ano da nossa Independência também registra o nascimento do Grande Oriente do Brasil, ocorrido em 17 de Junho de 1822.

No início de sua fundação, o Grande Oriente do Brasil possuía um sistema de governo semelhante ao de uma Grande Loja. Porém, após a Proclamação da República no Brasil, o GOB passou a funcionar, tal como hoje conhecemos, com um sistema federativo, tendo como um de seus idealizadores, o Conselheiro Macedo Soares que, tempos depois, veio a substituir o Marechal Deodoro da Fonseca como GrãoMestre.

Destacamos que, D. Pedro foi iniciado em 02 de agosto de 1822 na Loja Comércio e Artes, segundo Kurt Prober. E, em 05 de agosto do mesmo ano, o Grande Oriente do Brasil, sob a direção de Gonçalves Ledo, autorizou a referida Loja promover Guatimozim ao grau de Mestre.

Em 22 de agosto de 1822 foi proposto o nome de D. Pedro para Grão-Mestre, no lugar de José Bonifácio.

Vale observar que, D. Pedro tomou posse como Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil em 04 de outubro de 1822 e presidiu as Sessões dos dias 05 e 11 de outubro. No dia 12, D. Pedro fora aclamado Imperador Constitucional do Brasil, sendo sua sagração e posse no dia 1º de dezembro de 1822.

Contudo, lembramos que, em 25 de outubro de 1822, os trabalhos maçônicos do Grande Oriente do Brasil foram suspensos por D. Pedro I .

Ressaltamos que, paralelamente a esses acontecimentos maçônicos, em 1º de setembro de 1822 foi articulada, por José Bonifácio, uma reunião sob a presidência da princesa Leopoldina. Nesta ocasião ficou entendido que era chegado o momento da separação do Brasil de Portugal.

Em razão desse importante acontecimento, tanto José Bonifácio quanto a princesa Leopoldina escreveram a D. Pedro, relatando-o os últimos acontecimentos, uma vez que o então Príncipe Regente estava em viagem à Província de São Paulo.
Lembramos que, devido a viagem de D. Pedro à Província de São Paulo, a Proclamação da Independência não ocorreu na capital do Império, ou seja, no Rio de Janeiro.

Nessa viagem, D. Pedro tinha, dentre outros, alguns próximos em sua companhia, como o Padre Belchior Pinheiro de Oliveira, sobrinho de José Bonifácio; e o Coronel Marcondes de Oliveira Melo, subcomandante da Guarda de honra e futuro Barão de Pindamonhangaba.

Tendo em vista a reunião ocorrida sob a presidência da Princesa Leopoldina, como citamos anteriormente, José Bonifácio enviou até D. Pedro, mensageiros portando três cartas e a eles instruiu, dizendolhes: “se não arrebentar uma dúzia de cavalos no caminho, nunca mais será correio. Veja o que faz!”. Uma dessas cartas era do próprio José Bonifácio, apoiando a separação do Brasil de Portugal.

As cartas foram lidas pelo Padre Belchior ao Príncipe, que as teria arrancado de suas mãos, amarrotando, pisando e deixando-as no chão, ao passo que o referido Padre pode resgatá-las. Em seguida, perguntou o Príncipe: “e agora Padre Belchior?”

Embora Pedro Américo retrate de forma esplendorosa o grito de
“Independência ou Morte”, em sua tela intitulada o Grito do Ipiranga (Museu do Ipiranga – SP)

, na verdade, segundo um grande historiador, “o Príncipe-Regente proclamou a Independência do Brasil com trajes cobertos de lama e de poeira, parecendo mais um humilde tropeiro do que um futuro imperador”.

Segundo Laurentino Gomes, “o trono brasileiro nasceu representando os traficantes de escravos e os donos dos cativos”, ou seja, fazendeiros e senhores de engenho e pecuaristas. Todos eles exigiram em troca do apoio à Independência, que a escravidão não fosse abolida e assim foi feito.

Embora todos esses feitos sejam memoráveis e importantes para a Independência política do Brasil, em 08 de setembro, ou seja, o dia imediatamente após a declaração da Independência, a população não tinha nenhum motivo para festejar ou comemorar. Tudo permanecia igual e sem qualquer perspectiva de mudança, inclusive, a escravidão continuava firme e forte.

A verdade é que, o caminho da Independência já vinha sendo arquitetado, mesmo que lentamente, há quase um século antes de sua efetivação. A atuação dos maçons foi decisiva nesse processo, desde o surgimento das associações, como já dissemos.

Lembramos que, como afirma Laurentino Gomes, os principais defensores das alternativas republicanas, democráticas e federalistas pagaram um alto preço, como foi o caso de Joaquim Gonçalves Ledo, Cipriano Barata e Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, líder e mártir da Confederação do Equador. O primeiro foi afastado do cenário político, o segundo encarcerado por grande parte da vida e o último executado.

Portanto, quem quer que se opusesse a Dom Pedro era, de uma maneira ou outra, silenciado. Assim, vários Irmãos valorosos e que prestaram relevantes serviços a nação brasileira, foram perseguidos em razão de suas posições políticas.

A nossa Independência custou a liberdade de muitos, além de algumas vidas, sendo o caso de maior repercussão, dado sua popularidade, a de Frei Caneca, porém a mais emblemática foi a de Tiradentes, em 21 de abril de 1792.

Vale lembrar que, a Inconfidência Mineira, bem como a Independência do Brasil não tinham como finalidade melhorar as condições sociais da população pobre, muito menos acabar com a exploração interna. A princípio, ela visava apenas beneficiar a uma minoria, que concentrava a riqueza e terras.

Concluindo, com isso, podemos refletir sobre o fato de que, com a Independência política do Brasil não se alcançou, imediatamente, a liberdade, no sentido amplo da palavra.

Contudo, hoje, 195 anos depois, será que alcançamos a liberdade que implica segurança, direitos iguais e protegidos, igualdade de oportunidades para todos os iguais?

Apresentado pelo Ir.: MAX FERREIRA DA SILVA          
  CIM 307711

AILDO CAROLINO
Grão-Mestre Adjunto
Presidente do CEO

Imagens da Internet
Bibliografia:

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

DIA DO PROFESSOR


                                                 Video : youtube


Homenagem da Loja Maçônica Alpha e Ômega a todos os Professores  

   
No Brasil, o Dia do Professor é comemorado em 15 de outubro.
No dia 15 de outubro de 1827Pedro I, Imperador do Brasil baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, "todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras". Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A ideia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.
Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia efetivamente dedicado ao professor.
Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como "Caetaninho". O longo período letivo do segundo semestre ia de 1 de junho a 15 de dezembro, com apenas dez dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a ideia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.
O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, Piracicaba, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. A sugestão foi aceita e a comemoração teve presença maciça - inclusive dos pais. O discurso do professor Becker, além de ratificar a ideia de se manter na data um encontro anual, ficou famoso pela frase " Professor é profissão. Educador é missão". Com a participação dos professores Alfredo GomesAntônio Pereira e Claudino Busko, a ideia estava lançada.
A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".
FONTE : WIKIPÉDIA

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

PALESTRA PROFERIDA PELO IRMÃO JAIME PINTO JORGE FILHO 
DA LOJA MAÇÔNICA LUZ E CARIDADE DIA 09/09/2014



INTRODUÇÃO

Dia 7 de setembro, comemoramos o 192º Aniversário da independência política de nosso país. Inicialmente, faremos alguns comentários sobre o período que antecedeu nossa Independência e conduziu o Brasil a este fato histórico que nos colocou entre os países soberanos do mundo.

 1. Comecemos no final do século XVIII, no ano de 1799. A partir de 15 de julho de 1799, o Príncipe do Brasil, D. João Maria de Bragança, aos 32 anos, tornou-se príncipe-regente de Portugal, pois sua mãe, a rainha D. Maria I, foi declarada louca pelos médicos.  Os acontecimentos na Europa, onde Napoleão Bonaparte afirmava seu Império, sucedeu-se com velocidade crescente.
 2. ANTECEDENTES – NAPOLEÃO Desde 1801 já era analisada a idéia da transferência da corte portuguesa para o Brasil,  caso necessário.  As facções no governo português, entretanto, se dividiam: • uma facção era partidária que a preservação do Império Colonial Português e do próprio Reino, deveria apoiar-se na aliança com a Inglaterra; • a facção francófila considerava que a neutralidade de Portugal ante o imperialismo de Napoleão, só poderia ser obtida através de uma política de aproximação com a França. As lojas maçônicas, quer de origem britânica, quer de origem francesa, se dividiam entre elas. Considere-se ainda que as idéias iluministas francesas proliferassem clandestinamente ou abertamente, cada vez com mais abundância. Vamos  relembrar  um  pouco  esse  conturbado  período.  A Revolução Francesa já se estendia por dez anos, desde 1789 até 1799. A Era Napoleônica começa com o episódio de 18 de Bromarei,em 1799. Brumário era o mês outonal, que ia de 22 de outubro a 20 de novembro.  A França estava longe da estabilidade política, econômica e social desejada. De um lado, a ordem era perturbadora, pressões populares, que exigiam acabar com a pobreza e a miséria em que vivia grande parte da população do campo e das cidades. De outro, a burguesia, camada social que havia liderado a revolução, via seus negócios sucumbirem em função das constantes crises econômicas e políticas e cobrava mudanças no governo. Vários  países  europeus  conspiravam  para  pôr  fim  ao  regime revolucionário na França. Em meio a esse caos, desponta vitorioso no campo de batalha um jovem general chamado Napoleão Bonaparte.  Seria ele o imperador mais temido de seu tempo.  A bandeira iluminista o projetava além das vitórias militares. Promovido o general em 1795, aos 26 anos de idade, comandou o exército francês que conquistou a península Itálica e, vencedor, contemplou as Pirâmides do Egito entre 1796 e 1797. Apoiado em tanta popularidade, comandou em 1799 um golpe de estado contra o Diretório e tomou o poder. Aos 27 anos elegeu-se1º Cônsul da República. Reorganizou a educação e formou cidadãos e seguidores. Em 1802 era Cônsul Vitalício e em 1804 obteve o apoio da população em um plebiscito, dando início ao governo do Império Napoleônico, contando com o apoio de 60% da elite francesa. A Inglaterra, por sua vez, era o principal oponente da França. Com uma poderosa marinha e uma economia desenvolvida, resistia aos ataques de Napoleão.  Em 1806 Napoleão impôs o Bloqueio Continental, que decretava o fechamento dos portos europeus ao comércio inglês. Seu objetivo era abalar a economia da Inglaterra para derrotá-la militarmente e ampliar o mercado para a burguesia francesa. Napoleão pôs em prática uma política de intervenções e anexações.  Em 1807, ordenou a intervenção militar na península Ibérica, começando pela Espanha, em cujo trono colocou seu irmão José Bonaparte.  Os espanhóis, porém, resistiram à imposição do novo rei e pegaram em armas contra os franceses. No mesmo ano, Napoleão decidiu invadir Portugal que, aliado da Inglaterra, havia se recusado a aceitar o bloqueio. O país foi ocupado sem dificuldades, mas a família real portuguesa fugiu para a América. Desde Outubro desse ano, Jean-Andoche Junot, antigo embaixador francês em Lisboa, preparava-se para invadir Portugal. Foi nesse contexto que D.João pactuou com a Inglaterra a transferência do governo português para o Rio de Janeiro, sob a proteção da esquadra inglesa. Em 29 de novembro de 1807 teve início a viagem da Família real e da Corte Portuguesa. Dezoito navios de guerra portugueses e treze britânicos escoltaram mais de vinte e cinco navios mercantes de Lisboa até à costa do Brasil. A bordo, seguiam mais de quinze mil portugueses. O Reino ficava sob Regência de uma Junta que Junot logo dissolveu. Com a presença da Família Real Portuguesa no Brasil a partir de 1808, registrou-se o que alguns historiadores brasileiros denominam de "a; inversão metropolitana, ou seja, o aparelho de Estado português passou a operar a partir do Brasil que, desse modo, deixava de ser uma "a; colônia e, com a presença das Cortes e de D.João, assumia efetivamente o lugar da metrópole.
 3. AS MUDANÇAS NO BRASIL
3.1 A Sociedade Colonial aqui, imperava o desprezo pelo trabalho. Ao final do período da escravidão no Brasil, cerca de 42% da população negra ou mulata já estava livre ou liberta. Condição ambígua: na prática, voltavam a seres cravos e continuavam discriminados na sociedade. A escravidão foi uma instituição nacional que condicionou o modo de agir e de pensar - da classe dominante ao artesão, todos queriam ter cravos; dos proprietários de engenho, que poderiam ter centenas de escravos, ao pequeno lavrador, com dois ou três, até os forros, no lar doméstico desejavam ter um escravo. O trabalho manual foi socialmente desprezado como “coisa de negro” até a chegada em massa dos trabalhadores europeus, já nos éculo XX.  Em teoria, as pessoas livres da Colônia eram enquadradas em uma hierarquia social: nobreza, clero e povo.
Os títulos de nobreza eram ambicionados pela elite branca, mas não chegou a existir uma aristocracia hereditária. Os fidalgos eram raros e a gente comum, que era maioria, burgueses com aspiração à nobreza. Para diversificar essa escala, no campo havia os roceiros, pequenos lavradores; nas cidades havia os artesãos e pequenos comerciantes.  Ainda nas cidades de Salvador e Rio de Janeiro, havia os traficantes de escravos, incluídos na elite social. Esse cenário social iria mudar com a descoberta de ouro e diamantes em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, a partir de princípios do século XVIII, e, posteriormente, com a vinda da Família Real para o Brasil. No tocante à região mineira e aos centros urbanos, como Salvador e Rio de Janeiro, ia surgindo uma burocracia administrativa, de letrados e gente dedicada às chamadas profissões liberais, sobretudo à advocacia. As diferentes atividades eram desigualmente valorizadas.  A de maior prestígio era a do “senhor de engenho”, título muito desejado pelo respeito que impunha.  O comércio era considerado uma profissão menos digna, os artesãos depreciados, ambos excluídos das honrarias e das Câmaras. Na cúpula da pirâmide social da população livre, ao lado da elite de traficantes, ficavam os grandes proprietários rurais e os grandes comerciantes, principalmente se voltados para o comércio externo. Ascensão econômica destes facilitou-lhes o ingresso na elite colonial, participando das Câmaras e ocupando elevados postos nas milícias. Havia  razões  potenciais  de  conflito.  De um lado os grandes comerciantes, que influenciavam os preços de produtos de exportação e importação, sobretudo quando conseguiam ocupar postos nas companhias privilegiadas de comércio, organizadas pela coroa. De outro lado, os grandes proprietários de terras. A  população  colonial  viveu  em  sua  maioria  no  campo.  As cidades cresceram aos poucos e eram dependentes do meio rural. As  casas  nas  cidades  ficavam  sem  moradores,  enquanto  seus proprietários acompanhavam o trabalho nas lavouras, só se voltando para a vida citadina ao tempo das festas.
Por influência dos estudos de Gilberto Freire, a noção de família na Colônia é vinculada ao modelo patriarcal – uma família extensiva, constituída de parentes de sangue e afins, agregados e protegidos, sob a chefia indiscutível de uma figura masculina. Esta característica foi dominante no Nordeste. Há duas interpretações básicas e radicalmente opostas acercadas relações entre Estado e sociedade. Uma delas localiza no Estado pólo dominante, tendo sua origem na formação do estado português, caracterizado, desde o século XIV, pela centralização precoce e um corpo de leis com feição patrimonialista. Na Colônia, a burocracia estatal reforçava sua obra centralizadora, acentuando os mecanismos de poder e de repressão. Outra orientação considera que, ante um Estado frouxo e sem expressão, impera na Colônia o pólo estruturado pelos proprietários de terras, através do qual governa, legisla, faz justiça, guerreia contra as tribos do interior, em defesa das populações que habitam próximo às suas fazendas, que são seus castelos feudais. Mas,  Estado  e  sociedade  não  são  dois  mundos  ou  conjuntos estranhos.  Ao contrário, há um movimento que reciprocamente impele um em direção ao outro, em razão da indefinição do que seja público e privado.  Por um lado, se o Estado é penetrado por interesses particulares, por outro, sua ação não tem limites claros, decorrentes dos direitos e garantias individuais dos cidadãos. Os traços do Estado patrimonial luso, onde tudo é patrimônio do rei, ajustam-se aos traços do Estado colonial, onde a representação de  classe  cede  terreno  à  solidariedade  familiar.  A família ou as famílias em aliança da classe dominante surgem como redes formadas não apenas por parentes de sangue, mas por padrinhos e afilhados, por protegidos e amigos.  Para a Coroa, Estado é o patrimônio régio e os governantes devem ser escolhidos entre os homens  leais  ao  rei.  Por sua vez, os setores dominantes da sociedade tratam de abrir caminho na máquina estatal ou de receber as graças dos governantes em benefício da rede familiar.
Resulta disso um governo que se exerce não segundo critérios de impessoalidade e de respeito às leis, mas segundo critérios de lealdade. Uma conhecida expressão resume a concepção e a prática descritas, “para os amigos tudo, para os inimigos e indiferentes alei”.
 3.2 A Vinda da Família Real com a vinda da família Real portuguesa as mudanças na nova metrópole do Império Português se desencadeariam com enormes rapidez e significado político-social. As embarcações chegaram à costa da Bahia a 18 de janeiro de 1808 e, no dia 22, os habitantes de Salvador já puderam avistar os navios da esquadra. Às quatro horas da tarde do dia 22, após os navios estarem fundeados, o conde da Ponte (governador da capitania da Bahia à época) foi a bordo do navio Príncipe Real. No dia seguinte, fizeram o mesmo os membros da Câmara. A comitiva real só desembarcou às cinco horas da tarde do dia 24 de janeiro, em uma grande solenidade. De imediato, em Salvador, foi acenado Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas. A esquadra partiu de Salvador rumo ao Rio de Janeiro, aonde chegou no dia 8 de março de 1808, desembarcando no cais do Largo do Paço (atual Praça XV de Novembro). O Príncipe Regente D. João contava 40 anos de idade e o infante D. Pedro tinha apenas 10 anos. Os membros da Família Real foram alojados em três prédios no centro da cidade, entre eles o paço do vice-rei Marcos de Noronha e Brito,  conde  dos  Arcos,  e  o  convento  das  Carmelitas.  Os demais agregados espalharam-se pela cidade, em residências confiscadas à população assinaladas com as iniciais; P.R. ; ( Príncipe-Regente), oque deu origem ao trocadilho  Ponha-se na Rua, ou Prédio roubado; como os mais irônicos diziam à época. Em outra  medida  tomada  logo  após  a  chegada  da  corte  ao Brasil, declarou-se guerra à França, e foi ocupada a Guiana Francesa em 1809 .
Em abril de 1808, o Príncipe Regente decretou a suspensão do alvará de 1785, que proibia a criação de indústrias no Brasil. Ficavam, assim, autorizadas as atividades industriais  em território brasileiro. A medida permitiu a instalação, em 1811, de duas fábricas de ferro, em São Paulo e em Minas Gerais.  Mas  o  sopro  de desenvolvimento  tinha  restrições,  pois  a  presença  de  artigos ingleses  bem  elaborados  e  a  preços  acessíveis  bloqueava  a produção de similares em território brasileiro. A eficácia da medida seria anulada pela assinatura dos Tratados de 1810: o Tratado de Aliança e Amizade e o Tratado de Comércio e Navegação. Por este último,  o  governo português concedia  aos produtos  ingleses uma tarifa  preferencial  de  15%,  ao  passo  que  a  que  incidia  sobre  os artigos provenientes de Portugal era de 16% e a dos demais países amigos, 24%. Essa prática inviabilizava a evolução lucrativa local.Como  principais  mudanças  ocorridas  no  Brasil,  ressalta  o primeiro bilhete de banco, precursor das atuais cédulas, emitido pelo Banco do Brasil em 1810. Mas, outras mudanças muito importantes ocorreram com a vinda da Família Real para o Brasil dentre as que citamos as seguintes:- a fundação do primeiro Banco do Brasil, em 1808;-  a  criação  da  Imprensa  Régia  e  a  autorização  para  o funcionamento de tipografias e a publicação de jornais, também em 1808;- a criação da Academia Real Militar em 1810;- a abertura de algumas escolas superiores, entre as quais duas de Medicina – uma na Bahia e outra no Rio de Janeiro;- a instalação de uma fábrica de pólvora e de indústrias de ferroem Minas Gerais e em São Paulo;- a vinda da Missão Artística Francesa em 1816, e a fundação da Academia de Belas-Artes;-  a  mudança  de  denominação  das  unidades  territoriais,  que deixaram de se chamar ;capitanias; e passaram a denominar-se de províncias (1821); - a criação da Biblioteca Real (1810), do Jardim Botânico (1811)e do Museu Real (1818), mais tarde Museu Nacional.Entender o passado em toda sua complexidade é uma forma de adquirir  sabedorias,  humildade e  um senso trágico  a  respeito  da vida. Assim expressou-se o historiador americano Gordon S. Wood,vencedor de um prêmio Pulitzer, o mais prestigiado dos EUA. Senso  trágico  não  significa  ser  pessimista,  disse  ele,  mas  apenas compreender a vida com todas as suas limitações. Essa  lição  nos  recomenda  que  devemos  ver  no  passado  o sentido de grandiosidade que atingia o Brasil com a vinda da Família Real. Adquiríamos o direito de começar a participar culturalmente do mundo de então, coisa que nos havia sido negada até àquela época.O  Iluminismo  projetava  a  ciência  e  a  racionalidade  crítica  no questionamento  filosófico,  recusando  todas  as  formas  de dogmatismo.  Isto  induziu  a  população  a  pensar  em  liberdade  e soberania, por que não?
4. A CONSTRUÇÃO DA INDEPENDÊNCIA Os sonhos  da população brasileira  de 1822 eram grandiosos.Queriam libertar-se de três séculos de dependência de Portugal  e erguer  na  América  um  vasto  império  –  um  dos  maiores  que  a humanidade  conhecera  até  então.  Esse  novo  país  desdobrava-se desde as profundezas da floresta amazônica, quase nas franjas da cordilheira  dos  Andes,  até  as  planícies  dos  pampas  no  Sul,desenhando uma linha de quase 10.000 quilômetros de litoral, trinta vezes a distância entre Paris e Londres. Com mais de oito milhões de quilômetros quadrados, tinha o dobro do território europeu. Aqui, a diminuta  metrópole  portuguesa  caberia  93  vezes.  A  população?Cerca de 5  milhões  de  habitantes  que,  em sua  maioria,  não era ainda um povo.No  dizer  de  Laurentino  Gomes  (autor  do  livro  1822),  havia razões  de  sobra  para  que  um  simples  observador duvidasse  de nossa viabilidade como país.  Às  vésperas  do grito  do Ipiranga,  o Brasil tinha tudo para dar errado. Os problemas eram proporcionais ao tamanho dos sonhos de independência. De cada três brasileiros dois  eram  escravos,  negros  forros,  mulatos,  índios  ou  mestiços.Nossa  população  era  pobre  e  carente  de  tudo.  O  medo  de  uma revolução escrava, cerca de 70%, pairava como um pesadelo sobre a minoria branca. Ante o baixo nível cultural, a ignorância imperava entre os mais abastados. De certo que havia uma minoria intelectual preparada  em  Coimbra,  mas  também  essa  elite  estava  dividida politicamente  entre  monarquistas  absolutistas,  constitucionais,conservadores e liberais. Em 16 de dezembro de 1815,   ocorreu  a  elevação do então Estado  do  Brasil  (1621-1815),  uma  colônia  portuguesa,  a  Reino Unido com o Reino de Portugal (sua metrópole soberana até então) e Algarve,  devido  à  transferência  da  família  real  e  da  nobreza portuguesa para  o  Brasil.  D.  João somente  foi  coroado rei  algum tempo após a morte de sua mãe, considerada a primeira rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil, e Algarves, por um ano; D. João foi aclamado na corte do Rio de Janeiro como sucessor real de D. Maria Ide Portugal.
4.1 O Retorno da Família Real às Cortes Portuguesas . Porém, algo acontece para mudar nossos destinos: Em agosto de  1820,  irrompe  em  Portugal  uma  revolução  dita  liberal  que buscava  uma  saída  para  a  profunda  crise  que  envolvia  a  vida portuguesa. Crise que era política, pela ausência do rei e dos órgãos de  governo;  era  econômica,  resultante  em  parte  pela  liberdade concedida  ao  Brasil;  a  crise  era  militar  pela  presença  de  oficiais ingleses  nos  altos  postos  do  Exército  e  pela  preterição  de portugueses nas promoções. Na ausência de Dom João, Portugal foi governado  por  um  conselho  de  regência  presidido  pelo  general inglês  Beresford.  Depois  da  guerra  contra  as  forças  francesas, Beresford tornou-se Comandante do Exército Português. Mas, já não havia  a  ameaça  de  Napoleão.  Em  junho  1815,  Napoleão  foi derrotado na Batalha de Waterloo e preso pala segunda vez. Talvez envenenado, morreu em 1821. A  revolução  portuguesa  era  definida  como  liberal  porque considerava  o  regime  absolutista  totalmente  ultrapassado  e opressivo,  porque  dava  vida  a  órgãos  de  representação  da sociedade,  como  é  o  caso  das  Cortes  com  representantes  das províncias. Por outro lado, ao promover os interesses da burguesia, a revolução tentava limitar a influência inglesa e pretendia fazer com que o Brasil voltasse a se subordinar inteiramente a Portugal.No fim de 1820, os revolucionários estabeleceram em Portugal uma Junta Provisória para governar em nome do rei  e exigiram a volta  do rei  à  Metrópole.  Decidiram convocar  as  Cortes,  a  serem eleitas em todo o mundo português, com o propósito de redigir e aprovar uma Constituição. Previa-se também a criação no Brasil de juntas governativas leais à revolução do Porto nas várias capitanias que passavam a chamar-se províncias.A repercussão dessa situação foi imediata no Brasil - tropas se rebelaram em Belém e em Salvador. Manifestações populares no Rio forçaram o rei a modificar o ministério e a criar juntas de governo onde não existiam. A facção portuguesa, no Rio, formado por altas patentes  militares,  burocratas  e  comerciantes  interessados  sem subordinar  o  Brasil  a  Portugal,  defendia  a  volta  de  Dom  João  a Portugal.  Opunha-se  ao  retorno  do  rei  o  partido  brasileiro,  nas capitanias  próximas  à  capital.  Esse  partido  era  integrado  por grandes  proprietários  rurais,  burocratas  e  membros  do  Judiciário nascidos  no  Brasil;  a  esses,  somavam-se  portugueses  cujos interesses passaram a vincular-se com o Brasil.  Em verdade, este partido reunia pessoas que expressavam uma corrente de opinião,não era propriamente um partido político.A questão do regresso logo se decidiu: Dom João VI, com receio de perder o trono, decidiu voltar com a família real. Mas, alertou ao Príncipe  D.  Pedro,  que  aqui  permanecia  como Regente  do  Brasil,quanto à idéia de separação,  como último recurso.  Embarcou em abril de 1821, acompanhado de 4 mil portugueses, deixando em seu lugar,  como  príncipe  regente,  seu  filho  Dom  Pedro.  Nos  meses seguintes,  ocorreram  as  eleições  para  escolha  da  representação brasileira junto às Cortes. Quase todos os eleitos eram nascidos no Brasil,  entre  estes,  estavam  vários  defensores  intransigentes  da independência do Brasil.As  Cortes  começaram  a  se  reunir  em  Portugal  antes  que chegassem os Deputados eleitos no Brasil,  tomando uma série de medidas que aqui causaram grande descontentamento. Os governos provinciais  tornavam-se  independentes  do  Rio  de  Janeiro,subordinados agora a Lisboa. Tentaram revogar acordos de interesse comercial  da  Inglaterra,  de  proprietários  rurais  brasileiros  e  de consumidores  urbanos.  Em  Lisboa,  faziam-se  referências desdenhosas ao Brasil Colônia.
5. OS BRASIS DE DOM JOÃO Aqui  conviviam dois  brasis  inteiramente  diferentes.  Um deles era fruto da transformação ocorrida pela permanência das cortes, já com os pés firmes no turbulento século XIX, com dilemas consoantes aos conflitos em que se desenhavam a nascente opinião pública na Europa  e  nos  Estados  Unidos  independente.  Esse  era  um  Brasil pequeno de alguns milhares de pessoas que tinha seu epicentro no Rio  de  Janeiro.  O  outro,  um Brasil  indolente,  de  território  vasto,isolado e ignorante, pouco melhor do que aqui encontrara Cabral.Ambos conviviam de forma precária e ignoravam-se mutuamente.Caberia ao príncipe D. Pedro e ao seu braço direito, José Bonifácio de Andrada  e  Silva,  a  tarefa  de  fazê-los  caminhar  juntos  rumo  à Independência. E o Príncipe Regente?Em 1821 D. Pedro de Alcântara contava 23 anos. Por vezes é difamado  como  ignorante,  mal  interpretado  e  lhe  negam  outros valores.  Perito  na  arte  de  montar,  nunca  se  prendeu  muito  aos estudos.  Era  entendido  nas  artes  manuais  de  carpintaria  e marcenaria.  Desenhava  e  esculpia,  era  sensível  e  impetuoso.Precisava  ter  sempre  por  perto  um  anjo  da  guarda  para  sua proteção. De inteligência viva, possuía a natureza de artista, que não chegara a se aprimorar. Adorava música, tocava, cantava e regia.Compôs  o  Hino  da  Independência  do  Brasil  e  da  Constituição Portuguesa. Compôs outras obras clássicas, entre elas uma ópera.
Este  era  o  Protetor  Perpétuo  do  Brasil.  Caso  necessário,  que  se fizesse a guerra!Um caminho sem volta .Em fins de setembro e outubro de 1821 novas medidas tomada sem  Portugal  fortaleciam  a  opção  de  independência  no  Brasil.Decidiram  transferir  para  Lisboa  as  principais  repartições  aqui instaladas  por  D.  João  VI,  destacaram-se  novos  contingentes  de tropa para o Rio de Janeiro e Pernambuco e determinou-se a volta do príncipe  regente  para  Portugal.  A  decisão  de  Dom  Pedro,  de permanecer no Brasil, solenizou-se no Dia do Fico (09 Jan. 1822). Era um caminho sem retorno. Os atos do príncipe, a partir daí, foram atos de rotura com as Cortes de Lisboa. As tropas que se recusaram a jurar fidelidade ao príncipe viram-se obrigadas a deixar o Rio de Janeiro. Esboçava-se a criação de um exército brasileiro. Dom Pedro nomeia um novo ministério, composto por portugueses, porém chefiados por um brasileiro: José Bonifácio de  Andrada  e  Silva.  Nascido  em uma das  famílias  mais  ricas  de Santos, estudara em Coimbra, e permanecera na Europa por mais de 35 anos. Não era fácil rotular o pensamento de José Bonifácio, um liberal  conservador  (?),  adversário  das  esfarrapadas  bandeiras  da suja e caótica democracia. Considerava adequada ao Brasil a forma monárquica  de  governo,  sustentada  por  uma  representação  dos cidadãos  restrita  às  camadas  dominantes  e  ilustrada  -  uma oligarquia.A partir  de então,  os  atos  da Metrópole  eram recebidos  com indignação  e  exacerbavam  cada  vez  mais  os  sentimentos separatistas.  Aqui,  definiam-se  com  alguma  clareza  correntes conservadoras e outras mais radicais, que após defenderem maior autonomia  para  o  Brasil,  passaram  a  assumir  a  idéia  de independência.  A  forma  de  governo  desejável,  para  esses conservadores, era a monarquia constitucional, com representação limitada, como garantia da ordem e da estabilidade social. Difícil é definir  a  corrente  mais  radical,  pois  nela  se  incluíam  desde monarquistas  até  os  chamados  “extremados”,  para  os  quais a independência se associava à idéia de república, de voto popular e até de uma quimérica reforma social.Após se convocar uma Constituinte, aceleraram-se as decisões de rompimento, mesmo quando se invocava o propósito de “União com Portugal”. Nossos recursos financeiros eram escassos. O Banco do Brasil cambaleava. D. João VI raspara seus cofres de tesouros como ouro,dinheiro e pedras preciosas quando do retorno da Família Real às Cortes Portuguesas em 1821.6. A MAÇONARIA E A INDEPENDÊNCIA . É evidente que a Independência do Brasil não se fez pelo Grito de  D.  Pedro  às  margens  plácidas  do  Ipiranga.  Para  romper  um vínculo  com  o  passado  tivemos  de  enfrentar  perdas  humanas  e elevados  custos  decorrentes  das  ações  a  que  o  Estado  se  viu obrigado a tomar. Muito antes do 7 de Setembro de 1822 já havia nos  habitantes  da  Terra  Brasileira  o  desejo  da  emancipação.Lembremos a seguinte cronologia:-  1789:  Inconfidência  Mineira  (movimento  que  alguns  dizem contou com a participação de Maçons);
-  1798:  Conjuração  Baiana  ou  a  Revolta  dos  Alfaiates(movimento que teve a participação de membros da L.’.M .’. Cavaleiros da Luz);
 - 1808: D. João e toda família real por conta da guerra com a França vêm para o Brasil; o decreto da Abertura dos Portos sinaliza que o Brasil  (colônia) começa a desenvolver uma vida econômica independente de Portugal;
-  1815:  D.  João,  criando  o  Reino  Unido  de  Portugal,  Brasil  e Algarves  (o  Brasil  deixa  de  ser  uma  simples  colônia);  nossas aspirações recrudescem, mas a cultura é muito restrita aos centros de poder
;-  1817:  Revolução  Pernambucana  de  caráter  republicano(Revolução dos Padres, a história narra a participação de mais de 50 clérigos, sendo alguns deles maçons); 
1818: D. João VI manda fechar todas as sociedades secretas que funcionavam no Brasil; - 1820: Os portugueses exigem a volta imediata de D. João para Portugal;
- 22 de abril de 1821: o D. Pedro I é nomeado Regente do Brasil;
 -  26 de  abril  de  1821:  D.  João VI  regressa a  Portugal  o  que estimulou os maçons a reorganizarem a Instituição no Brasil; ainda neste ano as Cortes Portuguesas decretam que o Brasil retornasse à sua condição de colônia de Portugal e que D. Pedro retornasse para Portugal;
- 24 de dezembro de 1821: José Bonifácio de Andrade e Silva manifesta-se em nome da população paulista, pedindo a D. Pedro que fique no Brasil;
 - 9 de janeiro de 1822: Dia do Fico, manifestação clara de que o passado não voltaria;
-  14  de  maio:  É  oferecido  ao  Príncipe  o  título  de Defensor Perpétuo do Brasil;
- 20 de maio: o maçom Gonçalves Ledo dirige a D. Pedro uma exortação à Independência;-
Maio de 1822: o Príncipe D. Pedro assina o Decreto do Cumpra-se, ou seja, qualquer lei vinda de Portugal só seria cumprida se fosse aprovada por ele;
- 2 de junho de 1822: Em audiência com D. Pedro, o maçom José Clemente  Pereira  lê  um  discurso  escrito  pelos  maçons  Joaquim Gonçalves Ledo e Januário Barbosa explanando a necessidade de uma Constituinte o que já é um prelúdio do nascimento de uma nova nação (leis adequadas à realidade do povo);
 -  em  3  de  junho  de  1822,  Dom  Pedro  recusa  fidelidade  à Constituição  portuguesa  e  convoca  a  primeira  Assembleia Constituinte  brasileira.  D.  Pedro  escreve  a  D.  João  VI  expressiva carta. Diz D. Pedro ao Rei: “É necessário que o Brasil tenha Cortes suas: esta opinião generaliza-se cada dia mais. O povo desta capital prepara uma representação que me será entregue para suplicar-me que as convoque, e eu não posso a isso recusar-me, porque o povo tem  razão,  é  muito  constitucional,  honra-me  sobremaneira  e também à  Vossa  Majestade,  e  merece  toda  sorte  de  atenções  e felicidades . Sem Cortes, o Brasil não pode ser feliz. As leis feitas tão longe  de  nós  por  homens  que  não  são  brasileiros  e  que  não conhecem as necessidades do Brasil, não poderão ser boas. O Brasil é um adolescente que diariamente adquire forças, deve ter em si tudo  quanto  é  necessário  (...),  é  absurdo  retê-lo  debaixo  da dependência do velho hemisfério”
.-  17  de  junho  de  1822:  a  Loja  Maçônica Comércio  e  Artes ;divide seu Quadro de Obreiros e cria as Lojas União e Tranquilidade e Esperança de Nictheroy, para permitir a criação do Grande Oriente Brasílico ;
-  em 1º  de agosto,  D.  Pedro  baixa  um decreto  considerando inimigas tropas portuguesas que desembarquem no país. Cinco dias depois,  assina  o  Manifesto  às  Nações  Amigas,  redigido  por  José Bonifácio.  Nele,  Dom Pedro justifica o  rompimento com as Cortes Constituintes de Lisboa e assegura a independência do Brasil, mas como reino irmão de Portugal;
.- 2 de agosto: D. Pedro é iniciado em nossos Augustos Mistérios;
 - 5 de agosto: Exaltação de D. Pedro;
-  6  de  agosto:  José  Bonifácio  fez  um manifesto  contundente sobre a necessidade da Independência do Brasil; -  ainda  em agosto:  D.  Pedro  se  dirigiu  para  São  Paulo  para apaziguar os líderes políticos da região.
A Maçonaria teve papel fundamental na Independência de nosso país,  mas ela não era aqui um grupo homogêneo. Longe disso, a Maçonaria brasileira estava dividida em duas grandes facções: uma liderada por Joaquim Gonçalves Ledo e a outra, por José Bonifácio de A. e Silva. Gonçalves Ledo defendia idéias republicanas para o futuro do  Brasil  e  José  Bonifácio  acreditava  que  a  melhor  solução  era conservar  D.  Pedro como imperador  e  como regime a monarquia constitucional.  Ambos  os  grupos  disputavam  o  poder  de  forma passional, o que causou prisões, perseguições, expurgos e exílios. D.Pedro chegou a participar ativamente dessas duas facções. Podemos entender  que  a  participação  da  Maçonaria  na  Independência desenvolveu e propagou as idéias libertárias, estimulando a política dominante  em  busca  da  soberania,  tendo  como  protagonista  o Príncipe Regente; D. Pedro agiu com bastante arrojo e também com prudência para não se tornar um mero instrumento do domínio e da busca de poder que animava as facções maçônicas àquela época.
Em 7 de setembro nas colinas do Riacho do Ipiranga, emissários da  Corte  entregam-lhe  cartas  relatando  a  situação  política  que reinava na Capital  e as pressões vindas da Metrópole. Ciente das ordens  que  não  pretende  cumprir,  em  brado  forte,  nos  relata  a história, disse D. Pedro: “As Cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações;nada mais  quero do governo português  e proclamo o Brasil  para sempre separado de Portugal.
 Esta é a parte bonita, mas para manter sua proclamação houve derramamento  de  sangue  e  não  foram  poucos  os  verdadeiros brasileiros que morreram nos estados da Bahia, Maranhão, Ceará,Alagoas, Piauí, Sergipe e na Cisplatina entre outros.Para consolidar o território nacional, D. Pedro contratou o serviço de  corsários  e  contraiu  uma  enorme  dívida  financeira  com  a Inglaterra.  Por  conta  disso  tudo,  podemos  afirmar  que  não  há Independência  feita  simplesmente  no  papel  e  à  viva  voz.  O documento  apenas  registra  o  Fato  Histórico.  Mas,  imperioso  será garantir a soberania pelo braço armado, pronto a proteger, dissuadir e  assegurar  que,  mesmo  as  palavras  justas,  têm  que  estar amparadas  pelo  poder  e  respeito  à  força  organizada  e  pronta  a responder que agora somos soberanos e não há poder acima desse direito.À semelhança do processo de independência de outros países latino-americanos, o de independência do Brasil preservou o status que das elites  agro exportadoras, que conservaram e ampliaram os seus  privilégios  políticos,  econômicos  e  sociais.  Ao  contrário  do ideário  do  Iluminismo,  e  do  que  desejava,  por  exemplo,  José Bonifácio de Andrada e Silva, a escravidão foi mantida, assim como os  latifúndios,  a  produção  de  gêneros  primários  voltada  para  a exportação e o modelo de governo monárquico.O  Brasil  negociou  com  a  Grã-Bretanha  e  aceitou  indenizar Portugal com o valor de 2 milhões de libras esterlinas, num acordo conhecido como Tratado de Amizade e Aliança. A Grã-Bretanha saiu lucrando, tendo início o endividamento externo do Brasil. Quando D.João  VI  retornou  a  Lisboa,  por  ordem  das  Cortes,  levou  todo  o dinheiro que podia — calcula-se que 50 milhões de cruzados, apesar de ter deixado no Brasil a sua prataria e a enorme biblioteca, com obras raras que compõem hoje o acervo da Biblioteca Nacional. Em consequência  da  leva  deste  dinheiro  para  Portugal,  o  Banco  do Brasil, fundado por D. João ainda 1808, iria falir em 1829.
Em 12 de outubro de 1822, D. Pedro foi  aclamado Imperador pelos pares do Reino e coroado pelo bispo do Rio de Janeiro em 1º de dezembro, recebeu o título de D. Pedro I. No  início  de  1823,  foram  realizadas  as  eleições  para  a Assembleia  Constituinte,  para elaborar  a  primeira  Constituição do Império  Brasileiro.  A  Assembleia  foi  fechada  em  novembro  por divergências com D. Pedro. Porém a Constituição foi elaborada pelo Conselho de Estado e outorgada pelo imperador a 25 de março de1824.  Com  a  Constituição  em  vigor  e  vencidas  as  últimas resistências portuguesas nas províncias,  o  processo da separação entre colônia e metrópole estava concluído. Contra o liberalismo de setores  das  elites  brasileiras,  triunfa  o  espírito  conservador  e centralizador de José Bonifácio.Um dos pontos questionados na literatura maçônica brasileira sobre o tema está relacionado ao Dia do Maçom, 20 de agosto, data que  entrou  para  o  calendário  oficial  brasileiro  mediante  proposta aprovada  no  Congresso  Nacional,  promulgada  pelo  Presidente  da República 
A razão de a Maçonaria ter escolhido o dia 20 de agosto é por conta de Ata de reunião do então Grande Oriente Brasílico, datada do 20º  dia  do 6º  Mês  do  ano da Verdadeira  Luz.  Nessa reunião,presidida  por  Gonçalves  Ledo,  os  maçons presentes  aprovaram a Independência do Brasil, sobre a qual Dom Pedro seria informado e deveria aderir, tornando-se Imperador ou voltar para Portugal. Mas,essa  data  não  era  20  de  agosto  de  1822,  erro  histórico  esse atribuído ao Calendário Maçônico Gregoriano, sistema utilizado nas primeiras atas maçônicas brasileiras, que fixa o Equinócio Vernal no dia  21  de  março,  o  qual  passa a  ser  o  1º  dia  do  ano;  a  sessão mencionada ocorreu em 09 de setembro, mas devido às dificuldades de comunicação ainda não se tinha conhecimento do fato histórico ocorrido dois dias antes, às margens do Ipiranga.

8. CONCLUSÃO Não se pode afirmar que a independência do Brasil tenha sido obra da Maçonaria.  Vários  maçons integravam os  grupos de elite política e social. Fatores internos e externos concorreram para nossa soberania  -  eram os  ventos  trazidos  de  fora  que  imprimiam aos acontecimentos  um  dinamismo  libertário,  envolvendo  nossos protagonistas políticos em uma escalada fortemente impulsionada pela  Maçonaria,  escalada  que  passou  da  autonomia  brasileira  à alternativa  de  independência.  E  SEUS  PROTAGONISTAS  ERAM MAÇONS, políticos atuantes e mais esclarecidos da sociedade civil brasileira.Passados 192 anos desses fatos, enfrentamos ainda hoje muitos percalços  políticos,  onde  nossa  compreensão  é  desafiada constantemente  para  mantermos  nossa  posição  de  Guardiões  da Igualdade  e  da  Liberdade.  Nossa  filosofia  nos  concede  uma consciência  esclarecida,  intolerante  e  avessa  aos  atos  indignos,principalmente se praticados por pessoas que devem tutelar nossas instituições, na qualidade de nossos representantes. Como construtores do templo da virtude e do caráter, devemos colaborar para que se formem espíritos mais iluminados, de líderes que estejam cientes de que devem moldar os vasos que conterão o óleo da vida, resguardando o futuro da Pátria com dignidade . Os  exemplos  do  passado  nos  inspiram  a  prosseguirmos  em nossa tarefa: nosso país precisa que as colunas mestras dos Templos Maçônicos persistam em sua tradicional  senda, garantia de nossa herança onde resplandecem os ideais de LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE. Relembremos, pois, com honra, mais um aniversário do  Brasil  independente!  Que  seus  filhos  Dignos  e  Virtuosos,  se lembrem do que disse RUI BARBOSA:;A pátria não é ninguém; são todos;  e  cada qual  tem no seio  dela  o  mesmo direito  à  idéia,  à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados,  a comunhão da lei,  da língua e da liberdade".Honremos  nosso  berço  e  a  memória  de  nossos  antepassados.

Obrigado meus Irmãos!

Oriente em Uberlândia, em 09 de Setembro de 2014

Ir. Jayme Pinto Jorge Filho

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CASTELLANI, José. Ação secreta da Maçonaria na Política Mundial. São Paulo: Landmark, 2001;

CASTELLANI, José; CARVALHO, William Almeida. História do GOB: A Maçonaria na História do Brasil. São Paulo: Madras, 2009.

CASTRO, Terezinha de.  José Bonifácio e a unidade nacional. Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1984.

FAUSTO, Boris. História concisa do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2002.

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Casa-Grande_%26_Senzala

Guatimozim: Reminiscências. Disponível - http://unidosporbrasilia.com.br/index.php/aprendiz/17-guatimozim

GOMES, Laurentino. 1822. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.


ISMAIL, Kennyo. 20 de agosto, a Maçonaria e a Independência do Brasil.Disponível - http://www.noesquadro.com.br/wp-content/uploads/2012/08/20-de-Agosto-a-Ma%C3%A7onaria-e-a-Independ%C3%AAncia-do-Brasil-Kennyo-Ismail.pdf